Anita Baker – Tipo 1
Sinceramente…Se você está esperando ouvir uma história sobre uma cantora famosa que usa todos os tipos de drogas, transa com todos os tipos de pessoa, é maníaca depressiva e adora destruir instrumentos enquanto arranha a garganta com suas canções extremamente depressivas que dá vontade de cortar os pulsos…Sugiro que vá procurar outro modo de se entreter, o que eu vou contar aqui é uma história triste, mas comum de uma roqueira que queria ser muito mais do que já é, mas que, infelizmente, não tem a mínima vontade de ser nada. Talvez, algum dia, seu grande sonho de ser atingida na cabeça por algo que possa matá-la, ou pelo menos deixá-la em coma por uma grande quantidade de tempo, se realize e ela finalmente se sinta animada.
- Não, você não pode fazer isso. – Ela berrou para o cara que pretendia tirar a sua caixa de discos do chão.
- Ele só está querendo ajudar. – O homem que segurava a guitarra falou.
- Não se mete.
Bom, realmente não é nada novo esse clima completamente carregado de um sábado de manhã, quando estão todos de ressaca da bebedeira de sexta à noite e tudo o que eles mais querem, naquela absurda hora da manhã, é estarem enrolados em seus lençóis podres cheirando a cerveja e perfume barato, a doida da vocalista deles – que não tem nada pra fazer na sexta à noite, ao contrário deles – fica lendo seus milhares de livros existenciais enquanto fuma a maior quantidade de cigarros possíveis tem a audácia de marcar um ensaio.
Ben tentou e tentou, mas até agora não conseguiu lembrar o que fez com seu baixo. Johnny está à meia hora discutindo com ela o destino da tão querida caixa de disco enquanto o coitado do Frank, o cara que traz bebidas e comidas a cada duas horas, os encara com a boca meio aberta e um olhar confuso, |se perguntando por que raios foi tropeçar naquela maldita caixa e desencadeou mais uma maldita briga. Clara observa, bom, ela tenta observar enquanto briga para manter os olhos abertos, orgulhosa, o namorado ralhando com aquela cantora de bar metida à besta. Luke, ainda não conseguiu acertar o tom da bateria e Jean nem tentou ligar o teclado.
Mais uma típica manhã de sábado.
- Então, como tudo começou? – O repórter perguntou ajeitando o gravador e o caderno de anotações na mesa.
- Como assim? – Ela retrucou, meio entediada.
- Como a banda começou? – Ele voltou perguntar agindo como se ela fosse uma criança de cinco anos.
- Ahhh! – Johnny, que estava ao lado dela, revirou os olhos. Odiava quando ela se fazia de desentendida. – Bom, eu me mudei pra cá há cinco anos e fui morar com o Ben, a gente trabalhava em uma locadora falida que tinha alguns VHS e se recusava a aderir à moda do DVD, era bem engraçado na verdade. – Ela parou um momento para fumar e rir. – Enfim, quase nunca tinha nenhum cliente, então a gente ficava horas sentados no balcão cantando as trilhas sonoras dos filmes mais alugados. Ai surgiu a idéia da banda.
- E ai? – O reporte lançou um olhar de expectativa para Johnny.
- Daí que eu tocava em um boteco fulera no centro, daqueles lugares que só tem bêbado e puta e que mesmo assim é agitado nos fins de semana. Um dia, Anita chega lá com um cara todo metido, acho que era o namorado dela na época, o Mark. Ai, ele vira pra mim, eu tinha acabado de me apresentar no palco improvisado – uma caixa grande de madeira pintada de preto e um banco capenga – e assim que eu desci ele me chamou pra beber com eles. Logo eu já estava na banda.
- Hum…interessante.
- Os gêmeos – Anita continuou – a gente encontrou na igreja. Eu tinha ido ver a missa com a minha avó, que estava na cidade, e eles faziam parte do couro, quando vi percebi que eles eram o que eu procurava. Óbvio que eles são menores de idade e que eu sempre tenho que me responsabilizar… – Johnny cutucou suas costelas. – Oops!
Gabriela P.
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- Published:
- Fevereiro 28, 2008 / 12:23 am
- Category:
- Não Terminadas
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